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Figuras De Linguagem em quase tudo que se fala, escreve ou canta.

Ao reparar na letra da música “Sereia”, de Lulu Santos, por exemplo, é possível perceber muitas palavras, mas muitas mesmo, com o som sibilante da letra s. Veja:

Luz do divinal querer 
Seria uma sereia
Ou seria só
Delírio tropical, fantasia
Ou será um sonho de crianç
Sob o sol da manhã.

Teria sido um descuido do autor?

Quando atentamos na letra da canção, percebemos que não, pois na descrição da visão da sereia, a consoante, que tem um som sibilante, reproduz sonoramente o deslizar calmo das águas do mar que compõe o ambiente.

Esse recurso deve-se ao uso das figuras de linguagem.

Você verá neste artigo que elas também estão presentes na parte material da palavra, isto é, nas letras e no som ao serem proferidas.

Em continuidade ao texto 50 Figuras de Linguagem para “Turbinar” o Seu Texto Parte – 1, agora veremos as figuras de harmonia.

Figuras de Harmonia ou de Som

As figuras de harmonia (ou de som) englobam as figuras de linguagem que, em geral, unem sentido à musicalidade, sendo percebidas quando declamamos os textos que as utilizam.

Por isso, trabalham a parte material da linguagem, ou seja, a palavra em si. São elas:

8- Aliteração

9- Anonimação

10- Assonância

11- Homeoteleuto e Rima

12- Onomatopeia

13- Paronomásia

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Então, vejamos cada uma.

8.  Aliteração

 

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A aliteração consiste na repetição evidente e proposital de 1 ou mais consoantes no interior de uma frase ou verso.

O autor busca, com isso, intensificar a sonoridade e o sentido daquilo que está sendo dito, seja imitando o som do significado expresso na palavra, seja usando fonemas que, de acordo com a articulação, produzem sensações específicas. Exemplo:

Na noite, o sopro assoprava sem cessar.

No verso, o uso das consoantes fricativas sibilantes “s” e “c”, quando são pronunciadas, reproduzem o som do vento.

De forma alguma ocorreria a mesma sonoridade e expressividade se o poeta dissesse:

À noite, ventava sem parar.

9.  Anonimação

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Anonimação é a repetição de palavras com o mesmo radical, a fim de intensificar o sentido ou dar maior notoriedade ao trecho no qual a figura é empregada. Exemplo:

A cor do meu batuque tem o toque e tem o som da minha voz

Vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão.

(Chico da Silva)

Evidentemente o autor quis avivar a “cor do batuque”. Não fica dúvida nenhuma, a quem lê, de que esse batuque é vermelho mesmo! Essa sensação ocorre exatamente pelo recurso estilístico que foi empregado.

Jamais teria o mesmo alcance de sentido se o autor dissesse:

A cor do meu batuque tem o toque e tem o som da minha voz

Ele é vermelho.

Observação: o primeiro verso do exemplo traz outro recurso, a aliteração, que intensifica o som da batida sugerida na letra.

Repita as palavras do verso lentamente, que você perceberá:

A cor do meu batuque tem o toque e tem o som da minha voz.

10.  Assonância

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Assonância é a repetição ritmada de uma ou mais vogais, tornando a frase mais melodiosa. Exemplo:

Bebo leite no leito.

Deleito-me!

(Pedro Amaral)

A assonância na vogal e dá cadência ao verso quando pronunciado. Sem essa cadência, o verso, nem teria a mesma harmonia, nem o mesmo brilho:

Bebo leite na cama e aprecio muito.

 

Leia também:
50 Figuras de Linguagem para “Turbinar” o Seu Texto - Parte 4

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11.  Homeoteleuto e Rima

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Homeoteleuto: tem um nome estranho, mas é simplesmente a proximidade sonora que ocorre entre duas ou mais palavras dentro de frases em prosa.

Tem a pretensão de pôr uma vestimenta estética em uma frase que jamais teria algum charme. É muito comum nos ditados populares. Exemplo:

Deus ajuda a quem cedo madruga.

Rima: é a proximidade sonora que ocorre entre duas ou mais palavras situadas em versos distintos, geralmente no final de cada um.

Como o homeoteleuto, tem uma proposta estética e acrescenta sonoridade ao texto. Exemplo:

Meu olhar vive a te rastreares com uma tênue leveza,

Se não pisco é para não perder nenhum detalhe de tua beleza.

Já sem a sonoridade e a preocupação com a estética, presentes nesses textos, a expressão escrita seria apagada e sem nenhum encanto:

Deus ajuda a quem acorda cedo.

 

Meu olhar vive a te rastreares com uma tênue suavidade,

Se não pisco é para não perder nenhum detalhe de tua formosura.

12.  Onomatopeia

 

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Onomatopeia é a tentativa de imitação de sons e ruídos por meio de palavras. Elas visam a dar mais dinamicidade e realismo a um texto, coisa que a mera descrição do som nunca alcançaria.

Muitas, como tique-taque, já foram dicionarizadas e já fazem parte do léxico da língua. Exemplo:

De repente ouvi: bi-bibi-bibi-biiiiiiiiiiiiiiiiiCrash! Quando olhei pela janela, vi que era um acidente.

O exemplo anterior faz a descrição bem realista de um episódio. Põe, não apenas o relato, como também o som na mente do leitor.

Tal jamais ocorreria sem o recurso da onomatopeia:

De repente ouvi um som de buzina e uma batida. Quando olhei pela janela, vi que era um acidente.

13.  Paronomásia

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A paronomásia é a figura de linguagem que utiliza palavras parecidas ou iguais, mas com significados diferentes, com o objetivo de destacar a frase e chamar a atenção do leitor ao conteúdo.

Aparece comumente em trocadilhos. Exemplo:

Trarei, na sexta, a sexta cesta que me pediste.

Sem a paronomásia, a frase ficaria sem o diferencial de ser chamativa ao seu conteúdo:

Trarei no último dia, a outra encomenda que me pediste.

Conclusão (Figuras de Linguagem 2)

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Você viu neste artigo mais 6 das 50 figuras de linguagem que trarei em 4 artigos sobre o assunto. Estas aqui:

8- Aliteração

9- Anonimação

10- Assonância

11- Homeoteleuto e Rima

12- Onomatopeia

13- Paronomásia

O uso desses recursos é mais comum em textos com características artísticas, como poemas, canções ou até citações.

O texto que os emprega, entretanto, extrapola o simples sentido do significado da palavra e, com isso, cria uma obra de arte.

E essas obras, que saltam aos olhos de quem quer que as aprecie, eu acredito que você está muito mais capacitado pra fazer a partir de agora.

Bom… Espero que este artigo tenha sido útil a você!

Se você gostou mesmo e quer mais conteúdos sobre este e outros assuntos, preencha a pesquisa clicando no link: pesquisa de conteúdo. É rapidinho!  🙂

Aqui está a continuação deste artigo: 50 Figuras de Linguagem para “Turbinar” o Seu Texto – Parte 3. Lá, veremos as figuras de pensamento.

Finalizando, veja abaixo o vídeo da canção citada no início do artigo e perceba o efeito das figuras de harmonia na prática.

Leia também:
O Que é Tipologia Textual? Saiba Exatamente Tudo neste Artigo!

Até!

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Sobre o autor

É profissional de Letras, especialista em redação e profundo admirador da arte da escrita.

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