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Ah, a vírgula… Um sinalzinho minúsculo que tem o poder de subverter o sentido de um grande texto.

Um sinalzinho tão pequeno, mas que é, ao mesmo tempo, um grande obstáculo para quem tenta empregá-lo com acerto.

Sem querer ser trivial, mas realista: quem nunca errou uma vírgula, que atire a primeira pedra!

Isso acontece entre vestibulandos, redatores de textos jornalísticos, publicitários e até entre os mais “experimentados” da língua. Por que então não vai acontecer com você?

Por que a estudamos tanto e mesmo assim continuamos a cometer erros (bobos e até grosseiros)?

A dificuldade para essa assimilação decorre da própria regra do uso da vírgula e da forma como ela é ensinada.

Em razão disso, mostrarei, neste artigo, por que tantos erros envolvendo o sinal acontecem e qual a importância de saber usá-lo corretamente.

Além disso, simplifiquei as regras dela para que você nunca mais titubeie na hora de usá-la ou conscientemente deixar de o fazer.

Siga-me e saia deste post com uma habilidade bem maior, na escrita, do que certamente está entrando.

Por que é tão difícil acertar a vírgula?

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Muito da dificuldade do uso da vírgula deve-se a três fatores:

1- À forma como é ensinada

Amiga(o) leitor(a), se você aprendeu que a vírgula é uma pausa, delete isso da sua cabeça. Nem toda vírgula corresponde a uma pausa assim como nem toda pausa corresponde a uma vírgula.

Quer ver?

  • A vírgula nem sempre gera uma pausa; falamos sem pausa mesmo quando há vírgula:

Pronuncie: “Sim, senhor!” ou “Venha cá, Maria!” (falamos sem parar mesmo com a presença do sinal).

  • A pausa nem sempre gera uma vírgula; falamos com pausa mesmo quando não há vírgula:

Pronuncie: “As crianças de hoje serão o futuro de amanhã” ou “Quem com ferro fere com ferro será ferido” (fazemos uma parada breve depois de “hoje” e “fere” mesmo sem existir o sinal).

2- À divergência dos gramáticos quanto às regras

Nem todos os gramáticos são unânimes a respeito das regras de utilização da vírgula.

Por exemplo, o uso do sinal antes de “etc.” é sustentado pelo Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa, mas não por Napoleão Mendes de Almeida.

Outro exemplo é que é postulado o uso da vírgula para separar orações consecutivas por Rocha Lima, mas não por outros gramáticos.

As regras que adotei para este artigo são baseadas no que a maioria dos gramáticos defende e no uso prático.

3. Ao domínio necessário da gramática para empregá-la

Para empregar a vírgula com firmeza, é preciso conhecer as classes morfológicas e a sintaxe. Isso engloba quase toda a gramática.

→ Quer saber por que temos tanta dificuldade para assimilar a gramática e como resolver isso? Leia este artigo!

Regras simplificadas do uso da vírgula

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Para simplificar o uso da vírgula, elaborei este quadro com as regras, evitando ao máximo as nomenclaturas gramaticais:

USO DA VÍRGULA
  1. Para separar tudo o que possa ser enumerado, incluindo termos repetidos

  • Palavras: “Pegue o que encontrar: abóbora, batata, mandioquinha, beterraba, vagem, tudo”.
  • Partes de frases: “Os bombeiros, os socorristas, toda a polícia da Luisiana, a imprensa local estavam onde ocorreu o acidente”.
  • Termos repetidos: “Nada, nada, exatamente nada nesta vida vai fazer-me parar!”

Atenção: quando uma das partículas e / ou / nem aparecer entre os dois últimos termos, ela substituirá a vírgula; por outro lado, se a partícula aparecer entre todos os termos, não substitui:

  • Entre dois termo: “Laranja, banana, melão E mamão são as frutas mais usadas em saladas”.
  • Entre todos os termos: “Pode escrever: OU a Maria, OU a Elisabete, OU o Carlos, OU a Sandra está mentindo”.
  1. Para colocar uma informação adicional no meio da frase (deve ser isolada por vírgulas)

  • Apresentando alguém ou algo: “Alexandre, meu sobrinho, ensinou-me técnicas impressionantes para vender mais”.
  • Mostrando quem fala: “Os montes, disse o capitão, espreitam-nos a todo o momento”.
  • Acrescentando informação: “O meliante, que se disse arrependido, não quis gravar entrevista”.
  • Esclarecendo um termo: “O CEESP, Conselho Estadual de Educação de São Paulo, é um órgão vinculado à Secretaria da Educação”.
  1. Para isolar palavras ou expressões explicativas, corretivas, conclusivas ou adversativas deslocadas para o meio da frase (com uma vírgula antes e outra depois)

  • Explicativas (isto é, por exemplo, ou seja, a saber): “172.000 km² da floresta amazônica foram devastados em quase vinte anos, a saber, uma área seis vezes maior do que Portugal”.
  • Corretivas (aliás, digo, minto, ou melhor): “São vinte mangos, ou melhor, vinte e dois e quarenta o que me deves”.
  • Conclusivas (logo, portanto, pois): “Se aquela parte da cidade é perigosa, é bom, pois, evitar transitar por lá”.
  • Adversativas (porém, todavia, contudo): “Mesmo perdendo, não me senti, contudo, derrotado”.
  1. Para separar orações independentes

  • Sem conectivos: “De repente caiu a chuva, a maioria abrigou-se nas marquises, alguns correram aos camelôs em busca de socorro, poucos enfrentaram a água fria”.
  • Com o conectivo e (quando os sujeitos forem diferentes ou quando equivaler a “mas”): “Cinderela (sujeito 1) queria ir ao baile, e a fada (sujeito 2) cuidou para que a menina não perdesse a festa”; “A maioria dos gurus ensinam o que fazer, e (mas) não como”.
  • Com o conectivo mas (e os seus equivalentes): “Fui ao cemitério, mas (porém / todavia / entretanto etc.) não pude assistir ao enterro”.
  • Com o conectivo logo (e os seus equivalentes): “Não quis os meus conselhos, logo (então / portanto / assim etc.) nada posso fazer por você”.
  • Com conectivos de alternativa (que se repetem nas orações): “Quer você queira, quer não queira, vai ir à escola de qualquer jeito”.
  1. Para separar termos ou orações que mostrem circunstâncias e apresentem-se deslocados

  • Termos: “No Brasil, as leis são ineficazes” (As leis são ineficazes no Brasil).
  • Orações: “Quando todos se retirarem do recinto, saio” (Saio quando todos se retirarem do recinto); “Feitas as contas, não poderei pagá-las”.

Atenção: Se a circunstância for descrita em uma palavra, a vírgula PODE ser dispensada: “Hoje irei ao mercado” (Irei ao mercado hoje). Se correr o risco de provocar uma ambiguidade, passa a ser obrigatória: “Agora, eu penso diferente” (= Contudo eu penso diferente) ≠ “Agora eu penso diferente” (= Nesse momento, eu penso diferente).

  1. Para registrar a omissão de um verbo

  • Sem alteração na forma do verbo: “Os otimistas alcançam vida e saúde; os pessimistas, dor e morte” (os pessimistas alcançam dor e morte).
  • Com alteração na forma do verbo: “Minha prima fala três idiomas; eu, mal o português” (eu mal falo o português).
  1. Para separar o nome que usamos quando chamamos alguém ou algo (vocativo)

“Ah, Marcelo! Quanto te amei nesta vida!”

  1. Para separar termos ou frases que serão enfatizados depois

Problemas, quero-os longe de mim”.

  1. Para separar termos em datas e endereços

  • Localidade em datas: “Rio de Janeiro, 20 de abril de 2026”.
  • Nome de rua em endereços: “Rua do Cruzeiro, 41”.
Leia também:  Regras de Acentuação Gráfica: Guia Definitivo e Simplificado

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Ênfase, estilo e artimanha

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As vírgulas que são usadas ou omitidas opcionalmente, isto é, nos casos em que a gramática não condena, são indicadoras de estilo.

Ênfase e estilo

O estilo evidencia, no texto, o que o escritor quer realçar ou tirar a ênfase.

Vejamos alguns casos:

  • Conectivos como “porém”, “contudo”, “todavia” e outros que indicam oposição

Opcionalmente eles podem ser empregados sem vírgulas ou isolados por elas:

São funcionários tecnicamente incapacitados todavia comprometidos com as suas funções.

Contudo, tudo o que foi dito é a pura verdade!

  • Advérbios e locuções adverbiais

Isolados por vírgulas:

O que Isaías queira, talvez, seja o estrelato e não apenas uma boa vida.

Meu sapato furado evidencia, ainda mais, o quanto sou pobre.

Artimanha

Em alguns casos, para tirar a prova se é possível ou não isolar termos por vírgula, basta substituí-las mentalmente por parênteses.

Em outras palavras, a expressão isolada com parênteses ou vírgulas, nesses casos, não comprometem o entendimento dos termos essenciais da oração que restou.

Exemplificarei, para ficar mais claro:

Na frase: “Alexandre, meu sobrinho, ensinou-me técnicas impressionantes para vender mais”, o trecho entre vírgulas poderia estar entre parênteses ou excluído, sem prejuízo para o entendimento da oração:

Alexandre (meu sobrinho) ensinou-me técnicas impressionantes para vender mais.

Alexandre ensinou-me técnicas impressionantes para vender mais.

É possível usar esse macete em quase todos os casos em que o trecho fique entre duas vírgulas na frase.

Quando não usar a vírgula?

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Há vírgulas obrigatórias e opcionais, como vimos. No entanto há situações em que o uso é proibido.

Para mostrar os casos em que não se deve usar o sinal, vou exemplificar com esta frase:

João   emprestou   um livro   a sua sobrinha   no ano passado.

Os termos da oração acima são classificados da seguinte forma:

  1. Sujeito: João
  2. Verbo: emprestou
  3. Complemento 1: um livro
  4. Complemento 2: a sua sobrinha
  5. Acessório: no ano passado

Do 1 ao 4 não pode existir separação por vírgulas entre eles. Constituem erros crassos*:

João, emprestou um livro a sua sobrinha no ano passado.*

João emprestou, um livro a sua sobrinha no ano passado.*

João emprestou um livro, a sua sobrinha no ano passado.*

Já o 5 , se estiver deslocado ou intercalado entre o 1 e o 4, deve ser separado pelo sinal, como vimos nas regras acima:

  • 5, 1 2 3 4:

No ano passado, João emprestou um livro a sua sobrinha.

  • 1, 5, 2 3 4:

João, no ano passado, emprestou um livro a sua sobrinha.

  • 1 2, 5, 3 4:

João emprestou, no ano passado, um livro a sua sobrinha.

  • 1 2 3, 5, 4:

João emprestou um livro, no ano passado, a sua sobrinha.

Há apenas uma situação em que o sujeito PODE ser separado do verbo (esse “pode” em caixa alta significa opção): quando for composto por oração (oracional):

Os que dão palpite em assuntos que não lhe dizem respeito, estão sempre ouvindo atrás das portas.

Quem ama, cuida.

Se, por outro lado, houver a possibilidade de a frase tornar-se ambígua, a vírgula passa a ser obrigatória ao entendimento:

Quem ama, cobra.

A importância do uso da vírgula

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Usar a vírgula corretamente não traz só benefícios em redações, mas é essencial para fazermo-nos entender e manifestar um raciocínio claro.

Pois o bendito “tracinho” tem um poder devastador no sentido quando empregado equivocadamente.

Preste muita atenção ao escrever para não detonar uma bomba atômica cuidando que está soltando uma bombinha.

Leia também:  Quando Usar a Crase? São Apenas Três Coisas Que Você Precisa Saber

Como fez um conde milionário que, já estando muito enfermo, solicitou a alguns parentes que redigissem o seu testamento.

Seu filho, seu primo, sua mulher e seu pai, que foram citados no documento, decidiram anotar as palavras que o conde moribundo, já no leito, ditava.

Seguem os quatro textos anotados pelos supostos beneficiários do testamento:

TESTAMENTO 1

Declaro solenemente e com deliberação firmada em juízo que, após a minha morte, a minha fortuna avaliada em US$ 36.000.000 será transferida para a conta de meu filho (Amílcar), não para a conta de meu primo (Joada), jamais transferirei a fortuna para a conta de minha mulher (Alzira), nada acrescentarei ao saldo de meu pai (Sebastião).

TESTAMENTO 2

Declaro solenemente e com deliberação firmada em juízo que, após a minha morte, a minha fortuna avaliada em US$ 36.000.000 será transferida para a conta de meu filho (Amílcar) não, para a conta de meu primo (Joada), jamais transferirei a fortuna para a conta de minha mulher (Alzira), nada acrescentarei ao saldo de meu pai (Sebastião).

TESTAMENTO 3

Declaro solenemente e com deliberação firmada em juízo que, após a minha morte, a minha fortuna avaliada em US$ 36.000.000 será transferida para a conta de meu filho (Amílcar) não, para a conta de meu primo (Joada) jamais, transferirei a fortuna para a conta de minha mulher (Alzira), nada acrescentarei ao saldo de meu pai (Sebastião).

TESTAMENTO 4

Declaro solenemente e com deliberação firmada em juízo que, após a minha morte, a minha fortuna avaliada em US$ 36.000.000 será transferida para a conta de meu filho (Amílcar) não, para a conta de meu primo (Joada) jamais, transferirei a fortuna para a conta de minha mulher (Alzira) nada, acrescentarei ao saldo de meu pai (Sebastião).

A pergunta é: quem recebeu a fortuna em cada testamento? (Se souber, deixe a resposta nos comentários abaixo!)

Epílogo (Uso da vírgula)

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Nós vimos, neste artigo, porque não só é tão difícil dominar as técnicas da utilização da vírgula como também o antídoto para esse mal.

Além disso, vimos os casos em que o uso do sinal de pontuação é obrigatório, opcional e proibido.

Você teve acesso a uma tabela que apresentou as regras com uma linguagem totalmente acessível, que não necessariamente obriga um conhecimento profundo da gramática para a aplicação delas.

Acredito que você está finalizando este artigo com uma técnica diferente da que tinha quando começou a ler.

Como artesão, os seus textos serão esculpidos com ferramentas novas a partir de agora.

→ E, para conhecer a técnica de esculpir, acesse este artigo aqui e transforme os seus textos em autênticas obras de arte!

Para terminar, deixo estes dois vídeos para que reflitamos sobre o poder que esse risquinho, quase insignificante quanto ao tamanho, tem:

Espero que essas informações tenham sido proveitosas para você. Não se esqueça de deixar um comentário e compartilhar com seus amigos nas redes sociais.

Sucesso!

Referências:

  • ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática metódica da língua portuguesa. 46 ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
  • BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2009.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
  • LIMA, Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. 42 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.
  • LUFT, Celso Pedro. A vírgula. 2 ed. São Paulo: Ática, 2002.
  • PIMENTEL, Carlos. Português descomplicado. 1 ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
Ebook Propostas de Intervenção Originais

Sobre o autor

Bacharel e licenciado em Letras, especialista em redação e profundo admirador da arte da escrita.

2 Comentários

  1. Seguem às respostas dos testamentos acima:
    Testamento 1: Para a conta do filho de nome Amilcar;
    Testamento 2: Para a conta do primo de nome Joada;
    Testamento 3: Para a conta da sua mulher de nome Alzira e
    Testamento 4: Para a conta do seu pai chamado Sebastião.

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